<div class="elementor-post__thumbnail elementor-fit-height imagem_injetada" style="margin-bottom:7px; display:none;"><img width="300" height="168" src="https://www.femama.org.br/site_old/_files/noticia/1024/0.882307001504618002.jpg" class="attachment-medium size-medium" alt=""></div><div class="elementor-post__thumbnail elementor-fit-height imagem_injetada" style="margin-bottom:7px; display:none;"><img width="300" height="168" src="https://www.femama.org.br/site_old/_files/noticia/1024/0.882307001504618002.jpg" class="attachment-medium size-medium" alt=""></div>{"id":20497,"date":"2017-09-04T00:00:00","date_gmt":"2017-09-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/femama.org.br\/site_novo\/noticias-recentes\/diagnostico-de-cancer-ainda-e-gargalo-para-pacientes-do-sus\/"},"modified":"2017-09-04T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-04T03:00:00","slug":"diagnostico-de-cancer-ainda-e-gargalo-para-pacientes-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/femama.org.br\/site\/noticias-recentes\/diagnostico-de-cancer-ainda-e-gargalo-para-pacientes-do-sus\/","title":{"rendered":"Diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer ainda \u00e9 gargalo para pacientes do SUS"},"content":{"rendered":"<p><p style=\"text-align: justify;\">\n\tLivian Soares, 32, suava &agrave; noite, tinha febre, dores constantes de cabe&ccedil;a e, a cada dia, perdia mais peso. Os m&eacute;dicos em Urua&ccedil;u, no interior de Goi&aacute;s, diziam que era anemia.<\/p>\n<p>\tDemorou um ano para ela ser atendida por um especialista em doen&ccedil;as do sangue no SUS e outros 90 dias para realizar os exames e chegar ao diagn&oacute;stico &ndash;linfoma de Hodgkin, tipo raro de c&acirc;ncer.<\/p>\n<p>\tEm 2014, o n&oacute;dulo ocupava sua axila, mas, na &eacute;poca do diagn&oacute;stico tardio, j&aacute; tinha se espalhado por garganta, t&oacute;rax e est&ocirc;mago. Estava no est&aacute;gio quatro, considerado avan&ccedil;ado pelos m&eacute;dicos.<\/p>\n<p>\tO tratamento deveria come&ccedil;ar imediatamente, mas a primeira quimioterapia foi marcada para tr&ecirc;s meses depois, em Goi&acirc;nia, a cinco horas de dist&acirc;ncia da sua casa.<\/p>\n<p>\tA espera de Livian mostra que a demora entre a suspeita inicial e a chegada a um diagn&oacute;stico &eacute; o principal gargalo para obter o tratamento adequado no servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\tEm vigor desde 2014, a chamada Lei dos Sessenta Dias determina que todos os pacientes com c&acirc;ncer devem ser tratados na rede p&uacute;blica at&eacute; dois meses ap&oacute;s o diagn&oacute;stico. No entanto, quatro em cada dez casos esperam mais do que o prazo legal para receber atendimento, de acordo com dados do Siscan (Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o do C&acirc;ncer) do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>\t&quot;A lei pressup&otilde;e que o paciente consegue chegar imediatamente a um hospital especializado em c&acirc;ncer, mas, antes disso, alguns passam por mais de oito consultas&quot;, diz Merula Steagall, presidente da Abrale (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Linfoma e Leucemia).<\/p>\n<p>\tNo Estado de S&atilde;o Paulo, o prazo de 60 dias costuma ser respeitado, diz Paulo Hoff, diretor do Icesp (Instituto do C&acirc;ncer do Estado de S&atilde;o Paulo), que atende 10% dos casos de c&acirc;ncer do SUS estadual. &quot;Somos refer&ecirc;ncia, exce&ccedil;&atilde;o no Brasil. Mas, &agrave;s vezes, ficamos sobrecarregados porque pacientes de Estados vizinhos v&ecirc;m procurar tratamento aqui&quot;, explica. &quot;&Eacute; desumano uma pessoa viajar por horas para achar um hospital que a atenda.&quot;<\/p>\n<p>\tEssa dificuldade foi enfrentada pela estudante Let&iacute;cia Fernandes, que viajava duas horas e meia de segunda a s&aacute;bado de Mogi das Cruzes, onde vive, at&eacute; a capital paulista para tratar o linfoma no pesco&ccedil;o, descoberto aos 18 anos.<\/p>\n<p>\tN&atilde;o foi sua &uacute;nica peregrina&ccedil;&atilde;o no SUS. Ela esperou um ano para descobrir qual doen&ccedil;a tinha, gastou R$ 950 em uma consulta particular e as sess&otilde;es de radioterapia s&oacute; foram marcadas quatro meses depois do pedido m&eacute;dico, quando esse tratamento n&atilde;o teria mais efeito.<\/p>\n<p>\tA doen&ccedil;a reapareceu duas vezes. Na primeira, fez um transplante de medula &oacute;ssea, que demorou mais de quatro meses para ser realizado. Na segunda, o servi&ccedil;o p&uacute;blico j&aacute; n&atilde;o oferecia nenhuma op&ccedil;&atilde;o que funcionasse para ela.<\/p>\n<p>\tUm rem&eacute;dio importado custou R$ 600 mil e foi pago pela Uni&atilde;o, ap&oacute;s briga judicial de mais um ano. A jovem, hoje com 23 anos, define o processo: ansiedade, medo, desespero e des&acirc;nimo.<\/p>\n<p>\t<strong>MAIS CARO <\/strong><br \/>\n\tEm S&atilde;o Paulo, 55% dos casos s&atilde;o diagnosticados nos est&aacute;gios tr&ecirc;s e quatro, mais avan&ccedil;ados e dif&iacute;ceis de tratar. No pa&iacute;s, s&atilde;o 60%. Essa demora, consequ&ecirc;ncia da lentid&atilde;o, pode custar at&eacute; 19 vezes mais aos cofres p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>\tPara apressar o diagn&oacute;stico, uma nova lei est&aacute; em tramita&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados, estipulando que todas as consultas e exames em casos suspeitos de c&acirc;ncer sejam realizado em at&eacute; 30 dias.<\/p>\n<p>\tMinas Gerais foi o primeiro Estado a criar legisla&ccedil;&atilde;o. A regulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; aguardada para os pr&oacute;ximos meses. O Estado ter&aacute; de criar 12 novos centros especializados em diagn&oacute;stico oncol&oacute;gico.<\/p>\n<p>\tO tratamento de um c&acirc;ncer de intestino no SUS, em seu est&aacute;gio inicial, custa cerca de R$ 4 mil. Nas fases cr&iacute;ticas, o valor chega a R$ 76 mil.<\/p>\n<p>\t&quot;No c&acirc;ncer, o tempo corre contra. Em casos de leucemia, por exemplo, &eacute; preciso internar o paciente em poucos dias, mas monitoramos demora de at&eacute; cinco ou seis meses&quot; diz Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia.<\/p>\n<p>\tPara Fernando Maluf, chefe da oncologia do Hospital BP Mirante, em S&atilde;o Paulo e fundador do Instituto Vencer o C&acirc;ncer, a espera tem ainda um fator emocional. &quot;Para quem tem uma doen&ccedil;a, esses dias parecem eternos.&quot;<\/p>\n<p>\tEm Brasil&acirc;ndia de Minas, a 500 km de Belo Horizonte, Andreia Alves, 39, vive na pele a tortura. Em mar&ccedil;o, a professora ouviu da m&eacute;dica: &quot;Como voc&ecirc; ainda est&aacute; viva?&quot;.<\/p>\n<p>\tAssim como Livian, ela foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin. O resultado da bi&oacute;psia veio no in&iacute;cio de julho e, ap&oacute;s cinco meses de busca por exames em outra cidade, Andreia ainda aguarda pelo in&iacute;cio do tratamento.<\/p>\n<p>\tEla precisava iniciar as sess&otilde;es de quimioterapia e radioterapia imediatamente, mas, prestes a completar dois meses desde que descobriu a doen&ccedil;a, quando liga para a Secretaria de Sa&uacute;de de Minas Gerais s&oacute; ouve que n&atilde;o h&aacute; vagas.<\/p>\n<p>\tA espera &eacute; para um tratamento em Belo Horizonte ou Uberaba, a sete horas de onde mora. Para ela, no entanto, o pior &eacute; n&atilde;o saber quando.<\/p>\n<p>\t&quot;No in&iacute;cio era apenas um caro&ccedil;o, agora j&aacute; s&atilde;o 12. A m&eacute;dica disse que posso ter morte cerebral a qualquer momento, porque eles est&atilde;o na minha jugular&quot;, diz Andreia.<\/p>\n<p>\tA falta de transpar&ecirc;ncia para saber o in&iacute;cio do tratamento &eacute; apontada tamb&eacute;m por Luciana Holtz. &quot;O paciente se sente perdido, n&atilde;o h&aacute; um site que mostre quando o exame foi agendado, quando &eacute; a pr&oacute;xima consulta, quando come&ccedil;a a quimioterapia. Tem que esperar por uma liga&ccedil;&atilde;o da central de regula&ccedil;&atilde;o da fila.&quot;<\/p>\n<p>\t<strong>OUTRO LADO&nbsp;<\/strong><br \/>\n\tO Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, em nota, diz reconhecer a import&acirc;ncia da Lei dos Sessenta dias, mas para que o prazo legal seja cumprido aos pacientes do SUS, afirma ser necess&aacute;ria parceria dos gestores locais. A pasta diz esperar que a rede b&aacute;sica atenda adequadamente pessoas que querem exames para detectar c&acirc;ncer.<\/p>\n<p>\tO tempo para chegar ao diagn&oacute;stico, no entanto, depende de munic&iacute;pios e Estados, que s&atilde;o &quot;respons&aacute;veis pela organiza&ccedil;&atilde;o dos fluxos de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e possuem autonomia para organizar a rede oncol&oacute;gica como assim definirem&quot;, diz a nota.<\/p>\n<p>\tSegundo o minist&eacute;rio, os recursos para os 299 hospitais e unidades especializadas para tratamento de c&acirc;ncer cresceram 46% entre 2010 e 2016 &#8211; de cerca de R$ 2,2 bilh&otilde;es para R$ 3,3 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n\t<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/empreendedorsocial\/2017\/09\/1915596-diagnostico-de-cancer-ainda-e-gargalo-para-pacientes-do-sus.shtml\"><strong>FONTE<\/strong>: Folha de S. 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