Estudo revela ganho de sobrevida com o medicamento no tratamento do câncer de mama e reforça a importância de uma decisão favorável para ampliar o acesso à terapia
Uma nova atualização do estudo internacional NATALEE, apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, nesta sexta-feira (23 de outubro), trouxe resultados importantes para o tratamento do câncer de mama: o uso do medicamento ribociclibe associado à hormonioterapia demonstrou benefício na sobrevida global de pacientes com tumores de maior risco de retorno da doença.
O estudo acompanhou pacientes por cerca de seis anos e avaliou o tratamento de mulheres com câncer de mama com receptores hormonais positivos (RH+) e HER2 negativo, nos estágios II e III, incluindo pacientes com comprometimento dos linfonodos e também algumas com linfonodos livres da doença, mas com outros fatores de alto risco.
Os resultados mostraram que a associação do ribociclibe à hormonioterapia reduziu em 19,1% o risco relativo de morte, em comparação com a hormonioterapia isolada. Em termos de sobrevida global, a diferença absoluta entre os grupos aumentou ao longo do acompanhamento: o benefício foi de 1,2 ponto percentual após cinco anos e chegou a 2,1 pontos percentuais após seis anos.
Isso significa que, no grupo que recebeu ribociclibe associado à hormonioterapia, uma proporção maior de pacientes estava viva ao final do período avaliado, em comparação com aquelas que receberam apenas hormonioterapia. O benefício representa uma diferença relevante em um tratamento destinado a reduzir o risco de recorrência e melhorar os resultados a longo prazo.
O estudo também demonstrou benefícios em outros indicadores importantes: a sobrevida livre de doença invasiva aumentou 5,3 pontos percentuais em seis anos, enquanto a sobrevida livre de doença distante aumentou 4,9 pontos percentuais no mesmo período. Esses resultados indicam uma redução no risco de retorno da doença invasiva e de seu reaparecimento em órgãos distantes.
Os achados reforçam a importância de ampliar as opções de tratamento para pacientes com câncer de mama inicial com alto risco de recorrência. A indicação do medicamento, entretanto, deve considerar as características de cada paciente, os critérios clínicos e a avaliação da equipe de saúde.
Acesso ao tratamento pelo SUS: uma etapa fundamental
No Brasil, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) está prestes a divulgar o resultado da avaliação relacionada à Consulta Pública nº 61/2026, que analisou a incorporação do succinato de ribociclibe ao SUS para o tratamento adjuvante, realizado após o tratamento inicial, com o objetivo de reduzir o risco de retorno do câncer, de pacientes adultas com câncer de mama inicial RH+/HER2 negativo, com alto risco de recorrência.
A FEMAMA participou ativamente desse processo, contribuindo com a perspectiva da sociedade civil e defendendo a importância de considerar as evidências científicas e as necessidades dos pacientes nas decisões sobre a incorporação de novas tecnologias em saúde.
A divulgação dos resultados de sobrevida reforça a relevância dessa discussão. Para as pacientes que podem se beneficiar do ribociclibe, o acesso ao tratamento representa a possibilidade de ampliar as chances de viver mais e reduzir o risco de a doença voltar. Por isso, é fundamental que as decisões sobre a incorporação de medicamentos considerem não apenas os critérios técnicos e econômicos, mas também o benefício clínico demonstrado e o impacto que essa tecnologia pode ter na vida das pessoas.



