Durante muitos anos, campanhas de conscientização incentivaram as mulheres a realizar o autoexame das mamas mensalmente como estratégia para identificar precocemente o câncer de mama. No entanto, as evidências científicas mostraram que essa prática, feita de forma sistemática e seguindo uma técnica específica, não demonstrou reduzir a mortalidade pela doença. Por isso, as recomendações evoluíram e hoje o termo mais adequado é autoconhecimento das mamas.
A principal diferença entre os dois conceitos está na forma como a mulher observa o próprio corpo. O autoexame pressupõe uma técnica de apalpação realizada em um momento específico, geralmente uma vez por mês, com o objetivo de procurar alterações. Já o autoconhecimento das mamas é um cuidado contínuo, que incentiva a mulher a conhecer o aspecto e as características habituais de suas mamas no dia a dia — durante o banho, ao se vestir ou em outras situações rotineiras — para perceber com mais facilidade qualquer mudança que mereça avaliação por um profissional de saúde.
Isso significa que a orientação atual não é seguir um passo a passo para examinar as mamas, mas estar atenta a sinais como caroços, retrações na pele, alterações no mamilo, vermelhidão persistente ou saída espontânea de secreção. Ao identificar qualquer uma dessas mudanças, a mulher deve procurar um serviço de saúde para investigação. O autoconhecimento, no entanto, não substitui a mamografia nem os exames indicados pelos profissionais de saúde.
A mudança de conceito é baseada em evidências científicas que demonstram que muitas mulheres percebem os primeiros sinais do câncer de mama espontaneamente, e não durante um autoexame programado. Assim, o autoconhecimento das mamas, aliado à atenção aos sinais e sintomas e à realização da mamografia quando indicada, contribui para o diagnóstico precoce e para melhores resultados no tratamento.



