
Ao adotarem uma nova resolução sobre câncer, líderes de saúde de vários países – incluindo o Brasil – reafirmaram a importância do controle do câncer como prioridade crítica para a saúde e o desenvolvimento na 70ª Assembleia Mundial de Saúde, em Genebra. O atual Plano de Ação Global da ONU sobre doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e as metas ambiciosas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas para 2030, incluindo o ODS 3 (boa saúde e bem-estar), cria um cenário de oportunidades para investir no combate ao câncer, uma das principais DCNTs. Com uma em cada três pessoas diretamente afetada pelo câncer e 8,8 milhões de mortes anuais, essa doença é uma das preocupações de saúde mais prementes do mundo.
Calcula-se que o câncer custa até US$ 1,16 trilhão por ano às economias mundiais – número que deve crescer exponencialmente se não forem tomadas medidas para reduzir o crescimento espiral de casos e o impacto sobre os indivíduos e os orçamentos de saúde. Esse impacto é maior sentido nos países de baixa e média renda (PBMR), nos quais são gastos apenas 5% dos recursos globais para prevenção e controle do câncer.
A resolução de 2017 sobre câncer é uma resposta direta a esse desafio, oferecendo aos países orientação para a mudança da promoção da saúde e redução dos fatores de risco, com ênfase especial nas políticas de controle do tabagismo estabelecidas na CQCT e em vacinas anticâncer, mas também na necessidade de abordar a desigualdade do acesso à detecção precoce e ao tratamento oportuno e adequado, incluindo alívio da dor e cuidados paliativos. A União Internacional para Controle do Câncer (UICC) aplaude a ênfase nos resultados baseados em evidências para todas as pessoas que vivem com câncer e a inclusão da população especial de crianças, adolescentes e adultos jovens com câncer. A Dra. Maira Caleffi, presidente voluntária da FEMAMA e membro do Board Member da UICC, esteve presente representando a instituição.
Há uma nova ênfase na integração dos esforços no combate ao câncer em todos os planos nacionais de saúde e no apelo para a ampliação das atividades alinhadas com os ODS. Os quatro fatores principais que afetam a mortalidade por câncer até 2025 e que são apoiados pelas recomendações de custo-benefício atualizadas da OMS para DCNTs, também aprovadas nesta Assembleia Mundial de Saúde, são:
- Programas de diagnóstico precoce para câncer de colo do útero, de mama, colorretal e oral
- Desenvolvimento de parcerias, redes de referência e centros de excelência para melhorar a qualidade dos serviços de diagnóstico, tratamento e atendimento a pacientes com câncer e facilitar a cooperação multidisciplinar
- Formação de profissionais de saúde em todos os níveis da atenção à saúde, e
- Fortalecimento dos cuidados paliativos e promoção do acompanhamento e da reabilitação dos sobreviventes de câncer
"As partes interessadas de todos os setores devem começar a trabalhar juntas para garantir que este último documento de comprometimento global se traduza em uma ação nacional impactante, particularmente em PBMR, nos quais a carga do câncer deve aumentar mais rapidamente", disse Sanchia Aranda, Presidente da União Internacional para Controle do Câncer (UICC).
Esta é a primeira vez que um item específico da agenda do câncer é discutido na Assembleia Mundial de Saúde desde 2005, com os Estados membros de todas as regiões dando seu apoio ao processo de elaboração de uma resolução abrangente, aderindo às discussões iniciais na reunião do conselho executivo da OMS, em janeiro, e introduzindo e apoiando a resolução final.
Esta resolução é o resultado de uma chamada à ação feita após o evento paralelo da 69º Assembleia Mundial de Saúde do ano passado, que foi co-organizado pela UICC com vários Estados membros sobre "Fazer os investimentos certos para o controle do câncer”, incluindo Jordânia, Malásia, Zâmbia, Honduras, Kuwait e Espanha. Esse apelo enfatizou a importância de uma resposta clara dos sistemas de saúde ao câncer, com ênfase em uma estrutura para o reforço do diagnóstico, tratamento e atendimento, em particular, do acesso e da disponibilidade de cirurgias, radioterapia e opióides para o manejo da dor, assim como a abordagem dos custos elevados dos medicamentos para o câncer.
"A adoção bem-sucedida de uma resolução abrangente sobre câncer, um ano após a chamada à ação, mostra que os Estados membros reconhecem o custo crítico da falta de ação e estão prontos para agir", disse a Princesa Dina Mired, presidente eleita da UICC.
Com os comprometimentos globais acordados, é de suma importância que os Estados membros e a sociedade civil possuam dados que permitam orientar as ações de forma mais eficaz, além dos planos e financiamentos para seguir com uma ação nacional que leve a uma redução de 25% nas DCNTs até 2025.
A nomeação, na semana passada, do Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus como o novo Diretor-Geral da OMS oferece uma oportunidade única para fortalecer o papel da organização como líder no enfrentamento às DCNT – um compromisso assumido durante o discurso eleitoral, que a UICC espera que seja implementado.
"Esta resolução sobre câncer de 2017 terá impacto até 2025. A UICC irá juntar-se à comunidade que combate as DCNTs no período que antecede a reunião de alto nível das Nações Unidas sobre as DCNTs, que é a primeira oportunidade formal desde 2014, para verificar as metas do câncer e das DCNTs, e para enfatizar a urgência das ações propostas na resolução ", declara Cary Adams, CEO da UICC.



