
Além dos danos à saúde pública, a produção e o consumo de produtos derivados do tabaco geram importantes impactos socioambientais em todo o planeta – um deles é o uso de lenha para aquecer estufas que secam as folhas de tabaco e que leva ao desmatamento e ao desequilíbrio da biodiversidade em tempo de constantes mudanças climáticas. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Dia Mundial sem Tabaco, lembrado hoje (31), a entidade adotou como tema da campanha Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento. A proposta consiste em um apelo aos países-membros para que implementem medidas consistentes de controle do tabaco, incluindo a proibição de todo tipo de marketing e publicidade relacionados ao assunto, a adoção de embalagens simples para os produtos e o aumento de impostos especiais voltados para o setor.
Cigarro e o câncer de mama
A cada tragada em um cigarro, aproximadamente, 4.700 substâncias tóxicas são inaladas, podendo causar cerca de 50 doenças diferentes, incluindo diversos tipos de câncer. O tabagismo pode aumentar em até 60% as chances da fumante desenvolver o câncer de mama doença, conforme um estudo da Sociedade Americana de Câncer (ACS).
De acordo com o Dr. Ricardo Caponero, oncologista, presidente do Conselho Técnico Científico da FEMAMA, a associação do fumo ao câncer de mama ocorre porque muitas substâncias cancerígenas presentes no cigarro são absorvidas pelo organismo e possuem efeito sistêmico. Ou seja, embora o efeito seja maior nas vias respiratórias, pulmões e trato urinário, o efeito nocivo do cigarro atinge todo o organismo.
Mulheres fumantes em tratamento do câncer de mama, mesmo que apresentem chances reais de cura, não excluem a possibilidade de reaparecimento da doença, uma vez que o tabagismo mantém a predisposição para o desenvolvimento de novos tumores primários. Quanto ao tratamento em si, até onde se sabe, o tabagismo não afeta a eficácia dos medicamentos. Porém, pode ocasionar mais efeitos colaterais, principalmente, os cardiovasculares. A quem deseja parar de fumar, a indicação médica é que se procure ajuda especializada, principalmente o acompanhamento psicoterapêutico.
Custos à saúde e à economia
Dados da OMS mostram que o consumo do tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas todos os anos e custa aos lares e aos governos mais de US$ 1,4 trilhão, em razão de despesas com saúde e da perda de produtividade. “O tabaco ameaça a todos nós”, alertou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. “Ele exacerba a pobreza, reduz a produtividade econômica, contribui para pobres escolhas alimentares domésticas e polui o ar interior”, completou.
“Entretanto, por meio da adoção de medidas robustas de controle, os governos podem salvaguardar o futuro de seus países protegendo usuários e não usuários desses produtos mortais, gerando receitas que financiam a saúde e outros serviços sociais, salvando seus ambientes das devastações provocadas pelo tabaco”, disse Margaret.
Cicatrizes ao meio ambiente
Ainda segundo a OMS, os impactos do tabaco e de seus derivados na natureza envolvem dados como:
– Resíduos de tabaco contêm mais de 7 mil produtos químicos tóxicos que envenenam o meio ambiente, incluindo carcinogênicos humanos.
– Emissões de fumaça proveniente do tabaco contribuem com milhares de toneladas de carcinogênicos humanos, tóxicos e gases de efeito estufa para o meio ambiente.
– Cerca de 10 bilhões dos 15 bilhões de cigarros vendidos todos os dias no mundo são descartados no meio ambiente.
– Bitucas de cigarro respondem por 30% a 40% de todos os itens coletados em limpezas costeiras e urbanas.
Com informações de Agência Brasil, 31/05/2017



