
O Instituto do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) divulgou uma pesquisa na quinta-feira (06) apontando que em 66,2% dos casos de câncer de mama, é a própria mulher quem detecta os primeiros sinais da doença. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) divulgou nota oficial reiterando a importância do exame e afirmando que todas as mulheres acima de 40 anos devem ter acesso garantido ao exame pela rede pública de saúde.
A FEMAMA endossa e apoia a posição da SBM, reforçando que o autoexame é uma prática de autoconhecimento e não substitui a mamografia ou o exame clínico realizado por profissional de saúde. O câncer de mama inicial não apresenta sintomas perceptíveis pela mulher.
Quando um nódulo pode ser identificado por alguém que não tem treinamento, o tumor já está maior e as chances de cura já são menores. Ao perceber os sinais, a mulher precisa procurar um médico rapidamente. Porém, todas as mulheres deveriam ter a chance de descobrir a doença mais cedo. A FEMAMA defende a realização de mamografia a todas as mulheres a partir dos 40 anos.
Leia abaixo a nota da SBM na íntegra.
NOTA OFICIAL REFERENTE À PESQUISA SOBRE AUTOEXAME DIVULGADA PELO INCA
A Sociedade Brasileira de Mastologia reitera que a mamografia no Brasil é um direito de toda mulher acima dos 40 anos de idade. Deve ser lembrado que a mamografia não funciona isoladamente e, eventualmente, pode falhar. Ainda assim, é o único método que demonstrou reduzir a mortalidade por câncer de mama.
Os casos que acontecem no Brasil, nos quais a mulher descobre o seu próprio nódulo, se deve ao baixo índice de acessibilidade à mamografia pelo SUS. O Estado não pode repassar à mulher brasileira o ônus de sua inoperância na realização de mamografias.
O baixo número desses exames realizado no Rio de Janeiro pelo SUS em 2015 (15,3%), em mulheres de 50 a 69 anos, demonstra que elas não estão tendo seu direito garantido, apesar da lei. É isso que reflete a pesquisa anunciada pelo INCA, ou seja, por não fazerem mamografia, as mulheres detectam o câncer pelo autoexame.
Em seus estudos, a Rede Goiana de Pesquisa em Mastologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Mastologia, mostra que menos de 25% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeram mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2015.
Os estudos também confirmam as pesquisas divulgadas no Canadá e no Reino Unido, que revelam que a mamografia realizada entre 40 e 49 anos pode reduzir a mortalidade, considerando que, se feita anualmente, pode oferecer maior chance de cura e maior sobrevida para as mulheres que tiveram o infortúnio de desenvolver câncer de mama.
Hoje, um quarto das 58 mil mulheres que desenvolverão o câncer de mama no Brasil neste ano estarão entre 40 e 49 anos. Considerando que é um direito constitucional da mulher brasileira fazer a mamografia, a SBM recomenda que o exame mamográfico seja feito anualmente a partir dos 40 anos. E mais. Recomenda que a mulher possa e deva se autoexaminar, uma vez que conhecer o próprio corpo faz parte da obrigação de cada indivíduo.
Esses fatos mostram que é fundamental o estado prover mamografia para todas as mulheres acima de 40 anos e que pontes possam ser construídas evitando que o peso recaia sobre os ombros da mulher brasileira.
Sociedade Brasileira de Mastologia



