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Exame de mama tem fila de 6 mil mulheres

A espera para se realizar um exame de mamografia na rede pública de Saúde de Campinas (SP) pode chegar a até seis meses. A fila, segundo a própria Secretaria de Saúde, está em 6 mil pacientes e apenas dois mamógrafos estão em funcionamento. No início de outubro — mês de conscientização para a prevenção ao câncer de mama — o secretário de Saúde Carmino de Souza afirmou que a rede não possuía filas de espera para os exames, atribuindo a falta de procura para a realização do diagnóstico.
 

Nesta quinta-feira (4), entretanto, Carmino atrelou a crescente procura nos últimos 60 dias à quebra de dois aparelhos, um na Policlínica 2 e outro no Complexo Ouro Verde. Neste segundo local, a máquina está funcionando desde outubro, mas na Poli 2 o conserto deverá levar mais 30 dias. As respostas para a deficiência na realização dos exames foram dadas através de requerimento do Legislativo. Outro aparelho que atende a municipalidade fica no Hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas, e está em funcionamento.

 

Há muito tempo


Não é de hoje que a fila para um exame rotineiro é demorada para as pacientes. A aposentada Iolanda Moraes da Silva, de 80 anos, relatou que foram seis meses até fazer o exame no hospital da PUC. “No começo de janeiro a fila já estava muito grande. É uma luta para conseguir esse exame pela rede”, lamentou.
 

A paciente Márcia Aparecida dos Santos, de 42 anos, também relatou que foi meio ano até ser consultada. “Muita procura para poucos equipamentos. Acaba reprimindo a demanda e quem fica angustiado é a paciente”, disse.
 

Posição da Prefeitura


O secretário avalia que não existe uma fila de espera, e sim uma lista não qualificada. “Precisamos avaliar com cautela a lista de pacientes que estão na espera, pois pode estar havendo duplicidade ou triplicidade nos nomes”, ponderou. “Além disso, é sempre preciso ressaltar que pessoas que tenham indicação ou suspeita de câncer, têm o atendimento priorizado, sendo atendidas imediatamente”.
 

Segundo Carmino, cada mamógrafo produz por volta de mil exames mensais. Com a quebra dos aparelhos, houve um represamento, em dois meses, de aproximadamente 2 mil exames. Esse número revela, portanto, que em outubro havia, ao menos, cerca de 3 mil pacientes.
 

Cobrança


A quebra dos aparelhos já foi objeto de requerimentos do Conselho Municipal de Saúde. “Os mamógrafos são uma parte do processo de diagnóstico e tratamento de pacientes. Infelizmente faz algum tempo que a rede opera no limite, sem folga em nenhuma área. O cobertor já é curto, e qualquer situação de espera de meses por atendimento causa um grave desequilíbrio”, disse o presidente do conselho, Paulo Mariante.
 

O conserto do mamógrafo da Poli 2 deve ser finalizado em até quatro semanas. A demora no conserto ocorreu devido a um problema com o fabricante. Com a volta do mamógrafo, a secretaria espera reduzir a fila em até três meses. A compra de um novo aparelho digital deve ser concretizada em até dois meses e sua operação prevista para o primeiro semestre do ano que vem.
 

Demanda


Em Campinas existe por ano uma demanda de 100 mil pacientes que precisam fazer exames de mamografia. No ano passado foram 98 óbitos em decorrência do câncer de mama. No Brasil, o Ministério da Saúde estima 52.680 casos novos em um ano, com um risco estimado de 52 vítimas fatais a cada 100 mil mulheres.
 

O câncer de mama tem diversas causas. Um desses fatores é o envelhecimento da população. Outros são a obesidade, principalmente após a menopausa, o tabagismo, o fato de não amamentar e de não ter tido filhos e o uso de terapia de reposição hormonal.
 

O componente hereditário também conta e ainda tem maior risco à mulher que menstrua muito cedo e a que entra em menopausa mais tarde. Após os 40 anos a mulher precisa ano a ano realizar o exame.

Publicado em Correio Popular (Campinas) em 05/12/2014

 

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