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Fórum de Combate ao Câncer da Mulher: cobertura 02 de outubro de 2014

A Federação reuniu especialistas e representantes de ONGs para esclarecer a necessidade de se repensar políticas públicas e fortalecer o controle social por direitos para as pacientes brasileiras com câncer

São Paulo, outubro de 2014 – A FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama realizou em 02/10 o Saúde da Mama realizou em 02/10 o “XIII Encontro Brasileiro de Instituições Filantrópicas de Grupos de Apoio à Saúde da Mama”, como parte da programação do Fórum de Combate ao Câncer da Mulher, ocorrido em 02 e 03 de outubro, na sede da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – em São Paulo. O encontro reuniu mais de 60 ONGs de todo o Brasil, além da sociedade civil e profissionais de saúde e trouxe como tema principal o debate sobre câncer de mama e colo de útero, esclarecendo os processos e etapas de cada neoplasia e a necessidade de se repensar políticas públicas e fortalecer o controle social por direitos para as pacientes brasileiras.

“A FEMAMA está preocupada com a saúde da mulher como um todo. Por isso vamos expandir nossos esforços para além do câncer de mama e passar a discutir também o câncer de colo de útero, que apresenta altas taxas de incidência”, comenta Dra. Maira Caleffi, mastologista e presidente voluntária da FEMAMA.

O câncer de mama é o 2º o tipo de neoplasia mais frequente no mundo. No Brasil, mais de 57 mil novos casos de câncer de mama são estimados para 2014, o que faz com que ao menos 13 mil mulheres e homens (eles também são atingidos pela doença) morram em sua decorrência. Já o câncer de colo de útero é o 5º tipo de neoplasia mais comum no mundo. São previstos cerca de 15.590 novos casos da doença no Brasil este ano.

Câncer de mama

Após a abertura oficial do evento, Dr. Max Ruffo, ginecologista e mastologista, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, iniciou as apresentações, trazendo como tema o câncer de mama em todas as suas fases, mostrando que o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura das pacientes, mas que precisamos estar atentos também ao diagnóstico e tratamento das pacientes diagnósticas em estágios avançados da doença. Em seguida, Thiago Turbay, Assessor de Relações Governamentais da FEMAMA expôs as competências da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, CONITEC – Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – e ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar para deixar mais claro o papel de cada órgão público nos processos de regulação no que diz respeito à comercialização de medicamentos no Brasil e sua inclusão nos rols do SUS e da saúde suplementar.

A ausência de medicamentos importantes para o tratamento do câncer de mama avançado entre os tratamentos disponíveis no SUS foi apontada pelo Dr. Max Mano, oncologista e chefe do Grupo de Câncer de Mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). A necessidade de igualdade no tratamento das pacientes dependentes da rede pública em relação às demais foi uma questão levantada. Essa distinção fica clara especialmente no caso de mulheres com câncer de mama em fase de metástase, que não contam, na rede pública, com medicamentos de alta tecnologia que promovem aumento de tempo e qualidade de vida. 

“O País precisa evoluir na atenção ao diagnóstico precoce, no acesso aos tratamentos e na continuidade ao tratamento quando é constatado um nódulo. Trabalho metade do meu tempo no setor público. E parece que em 10 minutos que passo do privado para o público eu mudei de país, porque são realidades totalmente diferentes”, afirma o oncologista.

Álvaro Nishikawa, do Instituto Evidências – Credibilidade e Científica, trouxe mais aspectos sobre a realidade do paciente usuário do SUS e os desafios para a incorporação de novas tecnologias pelo sistema público de saúde. 

Câncer de Colo de Útero

A Femama inicia neste Fórum, seus debates relativos ao tema câncer de colo de útero, uma vez que a Federação se prepara para atuar também por esta causa a partir de 2015. Nesse sentido, Maria Beatriz Kneipp, Gerente da Divisão de Detecção Precoce do Instituto Nacional de Câncer – INCA, apresentou o panorama nacional do câncer de colo de útero, apresentando dados comparativos desta neoplasia em relação ao câncer de mama. De acordo com as informações trazidas, o câncer de colo de útero é o terceiro tipo de neoplasia que mais mata mulheres no País e a estimativa para 2014 é de que mais de 15.500 mulheres desenvolvam a doença.

“O câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente do vírus HPV (papilomavírus humano). Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, mas poucos podem causar o câncer. Na maioria dos casos, a evolução do câncer do colo do útero se dá de forma lenta (10 a 20 anos), passando, a partir da infecção pelo HPV, por fases pré-malígnas curáveis”, explica Maria Beatriz Kneipp. Segundo ela, o início precoce da atividade sexual e a diversidade de parceiros podem facilitar a infecção. “O fumo também aumenta o risco do câncer do colo do útero”, complementa.

A seguir, a Dra. Angélica Nogueira, oncologista e presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (Grupo EVA), colaborou com este debate falando sobre a realidade das pacientes de câncer de colo de útero no Brasil. Segundo ela, a idade média para desenvolver a neoplasia é de 47 anos. “No Brasil, o controle de câncer de colo de útero ainda é falho e, apesar de a vacinação poder mudar o curso da história, há necessidade de novas estratégias terapêuticas”, conclui Angélica.

Luciana Holtz, psico-oncologista e presidente do Instituto Oncoguia, apresentou a palestra “As barreiras para o diagnóstico precoce do câncer de colo de útero”. Segundo a palestrante, as dificuldades estão interligadas. “Temos que garantir que os médicos solicitem exames, que as meninas sejam vacinadas e que as mulheres sejam informadas. Isso tudo está interligado, pois depende de uma boa educação, da cultura e dos profissionais de saúde do SUS”, afirma Luciana.

A tarde foi encerrada com a explanação de um case de mapeamento da política estadual de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de colo de útero em Santa Catarina. A apresentação foi feita por Leoni Simm, Presidente da Associação Brasileira de Portadores de Câncer (AMUCC), instituição idealizadora do projeto e integrante da rede Femama.

Segundo ela, o projeto iniciado em 2012 foi batizado de RECAN Mulher, abreviação de Rede de Controle do Câncer na Mulher. O objetivo do projeto é intensificar a atuação da instituição em advocacy e controle social das políticas públicas nos Conselhos Municipais de Saúde do Estado de Santa Catarina, seja como ouvinte, seja ocupando um assento com direito a voto, a fim de garantir espaço para debate das questões relativas ao câncer de mama e câncer de colo uterino.

“Temos algumas metas a serem cumpridas e, entre nossos resultados esperados, estão que todos os Centros de Saúde tenham clareza do fluxo desde a primeira consulta até o tratamento; que as mulheres sejam informadas sobre o seu direito à saúde e seu dever de procurar o Centro de Saúde para realização de consultas e exames preventivos e de diagnóstico do câncer; que o tempo de acesso ao diagnóstico para lesões suspeitas não ultrapasse 30 dias; e que 100% dos casos diagnosticados sejam encaminhados para tratamento imediato”, finaliza Leoni.

Fórum de Combate ao Câncer da Mulher

Nos dias 2 e 3 de Outubro, a Femama realizou o Fórum de Combate ao Câncer da Mulher. O evento contou conta com a parceria de Instituto Avon, Novartis, Roche e Merck e o apoio de SESI, FIESP, COMSAÚDE e Sociedade Brasileira de Mastologia, contribuindo para o debate sobre câncer de mama e de colo de útero, esclarecendo os processos e etapas de cada neoplasia e da necessidade de se repensar políticas públicas e fortalecer o controle social por direitos para as pacientes brasileiras. O Fórum aconteceu no prédio da Fiesp, na Av. Paulista, 1313 / 4º andar, em São Paulo (SP).

O Fórum abrigou, no dia 2 de Outubro, a programação do XIII Encontro de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, aberto à participação de ONGs voltadas ao câncer, voluntários, profissionais de saúde, pacientes e familiares. No dia 03 de Outubro, o Fórum acolheu a programação do III Encontro de Redes Regionais, restrito às instituições associadas à FEMAMA, para definição de estratégias de atuação da rede.

Confira galeria de fotos do evento
Confira cobertura do dia 03 de outubro

Confira a programação do XIII Encontro Brasileiro de Instituições Filantrópicas de Grupos de Apoio à Saúde da Mama:

Câncer de Mama
– Entendendo o câncer de mama em todas as suas fases
Dr. Ruffo de Freitas Junior – Ginecologista e Mastologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia

– Competências ANVISA, CONITEC e ANS
Thiago Turbay – Assessor de Relações Governamentais FEMAMA

– Quais tratamentos deveriam estar disponíveis no SUS para paciente de câncer de mama, mas não estão?
Dr. Max Mano – Oncologista, Chefe do Grupo de Câncer de Mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)

– A Realidade do Paciente Usuário do SUS e os Desafios para a Incorporação de Novas Tecnologias pelo SUS
Álvaro Nishikawa – Evidências Credibilidade e Científica

Câncer de Colo de Útero
– Panorama Nacional do Câncer de Colo de Útero
Maria Beatriz Kneipp – Gerente da Divisão de Detecção Precoce do INCA

– A realidade das pacientes de Câncer de colo de útero no Brasil
Dra. Angélica Nogueira – Oncologista, Presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos

– Barreiras para o Diagnóstico Precoce do Câncer de Colo de Útero
Luciana Holtz – Psico-oncologista, Presidente do Instituto Oncoguia

– Case – Mapeamento da Política Estadual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo de Útero em Santa Catarina
Leoni Simm – Voluntária da Associação Brasileira de Portadores de Câncer (AMUCC)

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