
A saúde pública na Venezuela passa por grave crise. As estruturas sanitárias estão debilitadas, situação que vem sendo alertada há vários anos por pacientes, profissionais da saúde e organizações de direitos humanos. A burocracia e as dívidas acumuladas pela administração de Nicolás Maduro intensificaram a escassez e o desabastecimento de medicamentos nos hospitais.
Faltam medicamentos, insumos e equipamentos. Álcool, gaze e algodão desaparecem aos olhos dos consumidores. Alguns hospitais estão declarados tecnicamente fechados pela impossibilidade de atendimento. Foram reduzidos 25 mil leitos em relação aos últimos anos da década de 90. As estruturas são precárias tanto no setor público quanto no privado. Faltam macas, cadeiras de rodas, anestesia e comida para os pacientes. Equipamentos estão parados por falta de pessoal capacitado para operá-los, outros, por não funcionarem: um aparelho de alta tecnologia para identificar câncer está sem funcionar há um ano.
Os números assustam: 235 pessoas morreram por falta de medicamentos cardiológicos, 15 mil doentes renais lutam para conseguir remédios, 560 pacientes com linfoma não estão recebendo quimioterapia, 4.500 pessoas aguardam por um transplante, 45.000 soropositivos esperam por antirretrovirais. O índice de morte materna e infantil nos partos aumentou. O banco de sangue está vazio.
Entre tantos números também se encontram três mil mulheres com câncer de mama que não conseguem medicamentos como Anastrozol, Ciclofosfamida e Tamoxifeno. O câncer de mama é a principal causa de morte oncológica entre as mulheres. Os poucos equipamentos existentes para a realização de mamografias e ecografias, produzem imagens de má qualidade e precisão. Faltam agulhas para punções, entre outros insumos para realização de procedimentos.
A Femama, instituição engajada no ativismo em políticas públicas relacionadas ao tratamento do câncer de mama no Brasil, é membro da União Latino-Americana Contra o Câncer da Mulher (ULACCAM). Diante do compromisso assumido com os países latino-americanos integrantes da ULACCAM, a Femama manifesta seu comprometimento e preocupação frente à situação alarmante do sistema de saúde da Venezuela, que hoje vitima milhares de usuários da rede pública nos últimos anos. A Federação está enviando ofícios para a Embaixada da Venezuela no Brasil, a OMS e a OPAS alertando sobre a situação da saúde, para que estas instituições possam interceder junto ao governo venezuelano em busca de soluções.
Outras instituições latino-americanas estão fazendo o mesmo em seus países em uma ação coordenada pela ULACCAM, a partir da campanha “Me Duele Venezuela”. A campanha pede apoio internacional para promover ações concretas e viáveis naquilo que exige soluções imediatas, pela sua magnitude e pelo risco que a situação atual traz para a vida dos venezuelanos, visto que até o momento as autoridades não têm dado respostas transparentes e efetivas. Esta campanha defende não só a melhoria dos sistemas de saúde venezuelanos como também a manutenção da paz frente às manifestações e protestos civis que invadiram as ruas do país.
A campanha “Me Duele Venezuela” também promove um abaixo-assinado online por um país com saúde e paz, como forma de mobilização. São necessárias 5000 assinaturas. Participe desta ação, assine e conheça a campanha.
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