
Reportagem do Portal Agência de Notícias do Mato Grosso aponta a dificuldade de acesso a exames para diagnóstico de Câncer de Mama na rede pública de saúde na região do município de Confresa, no nordeste do estado. Esse caso reflete um pouco da realidade brasileira quanto ao acesso da população à realização de mamografias. Medidas como a Portaria 1.253/13, que determina prioridade para realização de mamografia de rastreamento apenas para mulheres de 50 a 69 anos na rede pública dificultam ainda mais o acesso ao exame para mulheres assintomáticas que estão fora da faixa etária estabelecida. A portaria 1.253/13 contraria a Lei Federal nº 11.664/08, que institui ações que asseguram a prevenção, a detecção e o tratamento dos cânceres de mama e de colo de útero, no sistema público de saúde a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade. Entidades médicas e associações de pacientes, entre as quais a Femama, recomendam a mamografia a partir dos 40 anos. Quanto mais cedo ocorre a detecção do câncer, menos agressivo e dispendioso é o tratamento e maiores são as chances de cura da paciente.
Confira reportagem do Portal Agência de Notícias na íntegra:
Câncer de Mama ainda é problema para a micro região de Confresa, não há aparelho de mamografia além de haver disponibilidade de 200 exames por ano
Somente no ano passado cerca de 16 mil mulheres morreram em decorrência do câncer de mama no Brasil. Um aumento de cerca de 16% em relação ao ano anterior, mesmo assim, as mulheres da região Norte Araguaia, estão vulneráveis a doença, sem ter sequer como fazer um exame para constatar a doença.
O Município de Confresa é o maior da região, possui pouco mais de 25 mil habitantes, sendo considerada como cidade polo, ela acaba recebendo ainda pacientes dos municípios vizinhos. Mesmo assim o hospital municipal não conta com equipamentos para a realização de exames de mamografia para detectar ou prevenir câncer de mama.
O Portal Agência da Notícia entrou em contato com o Secretário Municipal de Saúde Itamar Pinheiro para falar sore o assunto. Durante a conversa, ele confirmou que realmente não há em Confresa o aparelho de Mamografia, no entanto, a prefeitura teria uma pactuação com o município de Água Boa, destinando para lá a realização dos exames de mamografia atendendo as necessidades do município. ?Nós temos pactuado com Água Boa, são 200 exames de mamografia por ano?.
Quanto ao custo do dos pacientes encaminhados para Água Boa que fica distante 450 Km de Confresa e que atende outros municípios da região, Itamar explicou como é feita as despesas. ?No caso dos pacientes que necessitam deste exame, eles enquadram nos chamados Tratamento Fora de Domicílios (TFDs), estes, a prefeitura arca com as passagens?.
Segundo os sites especializados em vendas de equipamentos clínicos, um mamógrafo custa em torno de R$ 180 mil, uma vez que é o complemento de vários equipamentos, além de estrutura física.
Casos de câncer de mama, na maioria das vezes são vistos somente na mídia ou em cidades mais populosas distante da região local. A real situação nem sempre como se imagina, pois em Confresa, há casos de pessoas com câncer e que mesmo realizando tratamento feito por meio do Sistema único de Sáude (SUS), pagou caro até que se confirmasse o caso da doença.
O Portal Agência da Notícia entrou em contato com Amélia Babinsk, 64 anos, natural de Erechim-RS, mas que há 35 anos escolheu Confresa como sua cidade, onde ela relatou como foi a descoberta.
?Em 23 dezembro 2013 realizei uma ultrassonografia, onde o médico detectou um nódulo na axila em uma clínica particular de Confresa. No laudo do médico constatou que aquilo era apenas uma gordura e que não tinha nada?, explicou dona Amélia.
Insatisfeita e preocupada com a resposta do médico local, Amélia procurou realizar mamografia e outros exames necessários em Goiânia-GO onde surgiu a suspeita e posteriormente a confirmação da doença. ?Em de 2 fevereiro de 2014, fiz mamografia e outros exames complementados com ultrassonografia. O médico de Goiânia afirmou que o caso era extremamente suspeito e que era preciso fazer ?Pulsão?, onde logo foi detectado o câncer maligno. No região do corpo (axila), onde o médico havia afirmado que era gordura, era exatamente o local do câncer maligno?. Afirmou a moradora.
De acordo com Amélia, foi realizado uma cirurgia e posteriormente novos exames novamente para detectar qual o tipo de quimioterapia adequada. Até a confirmação da doença (exames), o custo foi de R$ 22 mil reais.
Atualmente a fase de tratamento está sendo pelo SUS. Entre as seções de tratamento estão 16 quimioterapias, sendo 4 de 21 em 21 dias e mais 12, a ser feita uma semanalmente, além de 33 radioterapias sendo uma a cada dia.
Em relação ao aparelho de mamografia, o secretário municipal de saúde, Itamar, adiantou que a SMS já está estudando e trabalhando para a instalação não somente do mamógrafo, mas como também de um novo aparelho de Ultra Som e um Raio X que deverão ficar à disposição do Hospital e Postos de saúde do município.
Matéria publicada no Portal Agência da Notícia (MT) em 13/06/2014
*Posterior à Portaria 1.253/13, o Ministério da Saúde lançou a Portaria 126/14, que esclarece definições que deixavam dúvidas no texto anterior. A nova portaria apenas detalha procedimentos já determinados na Portaria 1.253/13, por isso a Femama opta em referir-se ao tema como Portaria 1.253, por esta já ser mais conhecida do público que acompanha a questão.



