
No primeiro dia de evento aconteceu o XIV Encontro Brasileiro de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, que contou com a presença de ONGs de todo o Brasil, profissionais de saúde e demais interessados no tema. A abertura se deu com o painel “Mapeamento de Políticas em Câncer de Mama e Colo de Útero no Brasil”, moderado por Thiago Turbay, assessor de relações governamentais da Femama, que mostrou a realidade do câncer da mulher no País. Segundo ele, hoje conhecemos menos da metade dos pacientes de câncer no país, o restante está fora dos registros oficiais. Além disso, é possível que o País tenha um corte de mais de R$12,8 bilhões no orçamento da saúde em 2016 em função de novas regras de repasse de recursos no Sistema Único de Saúde (SUS).
O direito dos pacientes também foi tema do Encontro. Carolina Abad, da ONG Recomeçar – associada à Femama no Distrito Federal – apontou que o desafio principal no Distrito Federal é lutar por mais investimentos e recuperação da gestão do SUS. No Ceará, Cláudia Bélem, da ONG Assocrio, também associada á Femama, pontuou que a maior dificuldade enfrentada pelas pacientes na região é a demora na obtenção de exames de biópsia.
No Amazonas, segundo Magali Oliveira, da também associada ONG CIAM, a incidência de câncer de colo de útero é maior que a de mama e, para enfrentar desafios da região, a ONG aposta em empoderamento de pacientes e luta contra preconceito contra vacinação para o HPV. Em São Paulo, segundo a dra. Márcia Franceze, do Grupo Rosa e Amor, em 2013 a cobertura para exames de câncer de colo de útero na região de Campinas foi de 50%, sendo o mínimo indicado um índice de 80%.
Câncer de mama e de colo de útero
O câncer de mama é o 2º o tipo de neoplasia mais frequente no mundo e o que mais mata mulheres no Brasil. Segundo dados do Instituo Nacional de Câncer (Inca) foram mais de 14 mil óbitos em 2014.
“Atualmente, um em cada quatro casos de mulheres com câncer de mama no Brasil terminam em óbito, apesar de ser um tipo de câncer curável”, pontua o dr. Felipe Ades, que palestrou sob o tema “Câncer de Mama Metastático: Contextualização e Opções de tratamentos”.
O painel “Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo de Útero: Contextualização e Desafios” contou com a participação da Dra. Daniela de Freitas, do Grupo EVA, que enfatizou ser importante trabalhar com prevenção em câncer de colo de útero, uma vez que a neoplasia se desenvolve até 15 anos depois do contato com o vírus HPV. “Até 80% das mulheres terão contato com esse vírus – responsável pelo câncer de colo de útero – mas a maioria não vai desenvolver a doença”, explica ela.
Na parte da tarde, Thiago Turbay iniciou as apresentações com o painel “Advocacy: o que é, o que estamos fazendo e o que podemos fazer”. Nele, Thiago explicou que quem atua em advocacy não é só um agente social, mas também um agente de construção de políticas e que para agir em diferentes instâncias do governo, é preciso propor ações concretas, não planos abstratos e difíceis de seguir. "Quem faz política sempre transforma a sociedade em que vive para melhor", comenta ele.
A programação seguiu com painéis sobre testes genéticos para detecção de câncer de mama hereditário, exame que ainda não está disponível no SUS e que tem cobertura obrigatória desde 2013 na saúde suplementar.
“A Femama está crescendo e a gente nota que apesar dos estados e cidades os problemas são os mesmos e estão cada vez mais se agravando. Assuntos que a gente tinha como resolvidos e como parcialmente lidados voltam à tona, continuam não funcionando. Isso vai desde a Lei da mamografia, da dos 60 dias até a demora ao acesso às medicações. Com isso, o SUS começa a se distanciar cada vez mais dos protocolos internacionais”, finaliza a médica mastologista e presidente voluntária da Femama, dra. Maia Caleffi.
Hoje (24/09), o Fórum acolhe a programação do IV Encontro de Redes Regionais, restrito às instituições associadas à Femama, e que traz capacitações para as instituições da rede e definição de estratégias de ação conjunta.



