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Pacientes com câncer de mama triplo negativo podem se inscrever em estudo clínico no Rio Grande do Sul

Medicamento denominado Atezolizumab tem o potencial de atingir somente as células cancerosas e de ser menos agressivo ao organismo das pacientes


O tratamento de mulheres com câncer de mama ganha mais um aliado. Começa ser testado em nível mundial um novo tipo de tratamento específico para uma das formas mais agressivas da doença, que atinge em torno de 15% das pacientes com câncer de mama. O Brasil está entre os vinte países que começaram a aplicar em pacientes o medicamento denominado Atezolizumab. 

No Rio Grande do Sul, o médico José Luiz Pedrini (foto), membro do Conselho Consultivo da FEMAMA, é o único especialista a testar a substância em pacientes. O profissional também é diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), diretor do Instituto de Medicina, Pesquisa e Desenvolvimento (IMED) e atua na rede pública de saúde em São Leopoldo e no Hospital Conceição em Porto Alegre.

Ainda não há uma data prevista para o começo da administração do Atezolizumab, mas Pedrini acredita que em a partir de agosto já se inicie a inclusão da nova droga em um grupo de pacientes, que está sendo definido. De seu consultório em São Leopoldo, o médico explica que substância produzida a partir de anticorpos é segura e passou pelas etapas de testes antes de ser liberada para uso em humanos.

Como se trata de um tratamento experimental, em que serão observadas as reações ao tratamento, as pacientes serão escolhidas ou poderão procurar o Instituto para participar. “O medicamento é para pacientes que apresentam um tipo de tumor chamado triplo negativo”, observa Pedrini, que ressalta também este é o mais “anárquico”, entre os demais tipos, como os tumores hormonais e o Her-2. Sendo, portanto, o triplo negativo o mais difícil de tratar.

Medicamento produzindo a partir de anticorpos
“É um anticorpo, uma espécie de uma vacina que vai atuar na célula com câncer”, explica o médico José Luiz Pedrini. As células tumorais possuem mecanismos de defesa, um tipo de proteína chamada PDL1. Esse fator de proteção dos tumores impede a ação dos linfócitos T, que são os mecanismos de defesa das células saudáveis. Como os linfócitos não conseguem destruir o tumor, por conta do bloqueio exercido pela PDL1, o tumor segue crescendo no indivíduo.

O Atezolizumab tem em sua composição anticorpos que agem no bloqueio dessas células de defesa dos tumores. Sendo assim, com os tumores impedidos de se defender, os linfócitos conseguem agir normalmente. “Esse anticorpo vai atuar no PDL1, bloqueando-o e deixando o linfócito T destruir o tumor”, finaliza Pedrini.

Público-alvo
O Atezolizumab pode ser administrado em qualquer fase do tratamento do câncer triplo negativo. As pacientes recrutadas continuarão recebendo a quimioterapia, que é o tratamento padrão nos casos de câncer. Porém, uma parte delas, receberá também a nova substância. “Em todos os demais países terão pacientes sendo tratadas, os resultados serão comparados entre aquelas pessoas que só fizeram o tratamento convencional e aquelas que além do convencional administraram essa nova substância de anticorpo. Se esse braço que usou o anticorpo for bem melhor, aí ele é incorporado ao tratamento. Uma fase seguinte é começar a substituir a quimioterapia só pela medicação”, comenta Pedrini, que também ressalva que a eliminação da quimioterapia só seria possível, considerando o sucesso do Atezolizumab, pelo menos após cinco anos de testes.

Busca por pacientes
O estudo está aberto para pacientes com câncer de mama triplo negativo, com doença avançada ou localizada. Pedrini diz que iniciará uma busca ativa entre as pacientes de São Leopoldo, que se tratam na rede pública, para oferecer a possibilidade de testar o tratamento experimental. Em São Leopoldo, são as pacientes que se tratam no Hospital Centenário; em Porto Alegre, as do Hospital Conceição. “Não tenho como oferecer para as pacientes de convênio e particular porque eu não tenho acesso a elas”, explica. Mas Pedrini acrescenta que as demais pacientes podem recorrer à pesquisa. “Já estamos selecionando pessoas que vão poder utilizar a medicação.”

Existe uma equipe que trabalha com Pedrini no centro de pesquisa Instituto de Medicina, Pesquisa e Desenvolvimento. Depois dos testes em pacientes, são publicados os resultados em revistas especializadas na área de medicina. Essa etapa, chamada pesquisa clínica, faz parte da elaboração da bula do medicamento. O Atezolizumab é um medicamento experimental, ainda não existe aprovação do FDA (Food and Drug Administration) e da Agência Europeia, nem da Anvisa, portanto só pode ser administrado em pesquisas.

“É assim que se faz no mundo inteiro, tem que ser testado, avaliado para poder provar a eficácia”, ressalta. Antes de ser testado em pessoas, as substâncias são testadas em animais, depois passa a ser aplicada em voluntários sadios e em voluntários com algum tipo de câncer para medir a toxidade. “Essas são as fases um e dois do desenvolvimento de uma droga, a fase que nós estamos é a fase três, que a campo”. A aplicação será feita por meio de duas injeções mensais.

Acesso ao tratamento
Pacientes com câncer de mama triplo negativo podem entrar em contato com o Instituto de Medicina, Pesquisa e Desenvolvimento pelo telefone (51) 3357-2296 .

Com informações de Jornal VS, 10/07/2017 

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