O tratamento contra o câncer é um grande desafio e cada etapa desse processo precisa ser feita com segurança. Porém, recentemente uma preocupação tem chamado a atenção de pacientes, cuidadores e profissionais de saúde: a circulação de medicamentos suspeitos de falsificação.
Um medicamento falsificado pode parecer igual ao original, mas o que está dentro da embalagem pode ser completamente diferente, pode não conter o medicamento esperado, ter uma quantidade maior ou menor da substância ativa ou até estar contaminado. Isso significa que o tratamento pode não funcionar como deveria e, em alguns casos, colocar a saúde do paciente em risco.
Os medicamentos aprovados pela ANVISA passam por um processo amplo de controle e garantia da qualidade antes de chegarem ao paciente. São realizados testes para garantir que o produto seja seguro, eficaz e tenha a composição correta. Além disso, toda a fabricação, o armazenamento e o transporte são monitorados para preservar a qualidade do medicamento.
Já um medicamento de origem desconhecida não oferece nenhuma dessas garantias. Por isso, utilizar esses medicamentos pode comprometer o tratamento, atrasar a recuperação e aumentar o risco de problemas de saúde.
A boa notícia é que existem formas simples de reduzir esse risco. Saber quais sinais observar ao receber um medicamento pode ajudar a evitar problemas e garantir um tratamento mais seguro e confiável.
Dicas para reduzir o risco de adquirir medicamentos falsificados
Compre sempre em farmácias e drogarias de confiança. Prefira estabelecimentos regularizados e autorizados pelos órgãos de vigilância sanitária. Evite adquirir medicamentos em sites não confiáveis, redes sociais, aplicativos de mensagens ou por meio de vendedores informais, pois não há garantia da procedência dos produtos.
Desconfie de preços muito abaixo do mercado. Embora preços mais baixos possam parecer vantajosos, valores muito inferiores aos praticados normalmente podem ser um sinal de alerta para produtos de origem duvidosa.
Verifique o registro do medicamento na Anvisa. Todo medicamento aprovado pela Anvisa possui um número de registro, composto por 13 dígitos, impresso na embalagem. Caso tenha dúvidas sobre a regularidade do produto, é possível consultar o registro por meio do Sistema de Consultas da Anvisa. Essa ferramenta permite verificar se o medicamento está regularizado e se as informações do produto correspondem ao registro oficial.
Observe atentamente a embalagem. Antes de utilizar o medicamento, verifique se ela apresenta sinais que possam indicar irregularidades, como:
- erros de ortografia ou de impressão;
- diferenças na qualidade da impressão, nas cores ou no acabamento da embalagem;
- fontes ou letras diferentes das habituais;
- lacres violados ou sinais de abertura;
- informações ilegíveis, incompletas ou divergentes entre a embalagem e a bula.
Esses indícios podem sugerir uma possível falsificação e merecem atenção.
Lembre-se, no entanto, de que nem toda mudança na embalagem significa falsificação. Os laboratórios farmacêuticos frequentemente atualizam o design, as cores ou o layout das embalagens por motivos de modernização da identidade visual ou adequação às normas regulatórias. Por isso, uma embalagem diferente da que você costumava comprar não significa, necessariamente, que o medicamento seja falsificado.
Caso tenha qualquer dúvida sobre a autenticidade do produto, não utilize o medicamento até esclarecer a situação. Procure orientação com o farmacêutico da farmácia onde realizou a compra ou entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante. Esses canais podem confirmar se a embalagem corresponde a uma versão oficial do produto.
Se houver suspeita de falsificação, não utilize o medicamento até esclarecer sua autenticidade ou, caso o tratamento já tenha sido iniciado, entre em contato com o médico responsável e com o farmacêutico antes de interromper o uso. Guarde a embalagem, a nota fiscal e, se possível, anote o número do lote do produto. A suspeita também deve ser comunicada imediatamente à Anvisa. Profissionais de saúde podem realizar a notificação por meio do sistema Notivisa, enquanto pacientes podem registrar a ocorrência na Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação (FalaBR). Essas notificações são importantes para que as autoridades sanitárias investiguem o caso e adotem as medidas cabíveis.
Bianca Jacobus Alves | Analista de Projetos da FEMAMA
Referências:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6360.htm
Resolução RDC nº 658, de 30 de março de 2022. Dispõe sobre as Diretrizes Gerais de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 31 mar. 2022.



